DICA DE LIVRO Seminário dos Ratos

Seminário dos Ratos, é um conto de Lygia Fagundes Telles, e está também presente no livro de mesmo nome. Neste conto a autora também rompe com a realidade e com a lógica racional.

Conto em terceira pessoa que apresenta uma alegoria de nossas estruturas político-burocráticas. Trata-se de ratos, pequenos e temerosos roedores, numa treva dura de músculos, guinchos e centenas de olhos luzindo negríssimos, que invadem e destróem uma casa recém restaurada localizada longe da cidade. Ali aconteceria um evento denominado VII Seminário dos Roedores, uma reunião de burocratas, sob a coordenação do Secretário do Bem-Estar Público e Privado, tendo como assessor o Chefe de Relações Públicas. O país fictício encontra-se atravancado pela burocracia, invertendo-se a proporção dos roedores em relação ao número de homens: cem por um.

O conto aparece em livro homônimo, no ano de 1977, época em que o Brasil se encontrava em um momento histórico de repressão política. No trabalho gráfico da capa da primeira edição do livro Seminário dos ratos, aparecem dois ratos empunhando estandartes com bandeiras à frente de uma figura estilizada – uma espécie de monstro com coroa, um rei no trono, a ser destronado pelos animais?

O próprio nome do conto “Seminário dos ratos” já causa uma inquietação. Um seminário evoca atividade intelectual, local de encontro de estudos, possuindo etimologicamente mesma raiz de semente/sementeira – local para germinar novas idéias. Também traz uma ambigüidade: seminário no qual se discutirá a problemática dos ratos, ou seminário no qual os ratos serão participantes? Essa questão ficará em aberto ao final do conto. A narrativa é introduzida através de uma epígrafe – versos finais do poema “Edifício Esplendor” de Carlos Drummond de Andrade (1955) – da qual já emana um clima de terror, em que os ratos falam, humanizados pelo poeta: Que século, meu Deus! – exclamaram os ratos e começaram a roer o edifício.
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